COSME_esboco

Publicado em: on Outubro 27, 2008 at 4:03 am  Comentários (2)  

A deliciosa união entre literatura e teatro

por Marcela Capobianco

Alunos de Ensino Médio costumam sentir arrepios ao ouvir o nome de Machado de Assis. É só o professor de literatura começar a falar um pouco sobre o Mago do Cosme Velho, que os pobres alunos já se veem penando para ler um livro chato, antiquado, grande e cheio de palavras difíceis. Parece que foi pensando nestes estudantes que a Incrível Companhia de Artes e Entretenimentos do Senhor Cosme decidiu levar ao palco a história de “O Alienista”, escrita por Machado de Assis no fim do século XIX. Escolha feliz para a jovem companhia que, com sua peça de estreia, foi campeã do VII Festival de Teatro Cidade do Rio de Janeiro, em 2009.

Com uma linguagem simples e veloz, que mistura, durante todo o tempo, ação e narrativa, o diretor Eduardo Vaccari foi ousado em não determinar que cada personagem fosse interpretado por um só ator. Durante os 80 minutos de espetáculo, os dez atores mal saem do palco e se revezam como narradores, personagens e espectadores do trabalho que desenvolvem. A distinção entre os personagens principais é feita por alguma peça de figurino que represente tal personagem, como a casaca verde do médico, a saia de Dona Evarista, o colete de seu fiel escudeiro, o boticário Crispim. Simão Bacamarte, o respeitado psiquiatra que decide fundar um hospício na Itaguaí da época do Império, é interpretado por três atores diferentes, que, reunidos no final, tornam visível a esquizofrenia do protagonista. O principal opositor de Simão Bacamarte, o barbeiro Porfírio, que reúne uma multidão de revoltosos para demolir a Casa Verde e o consequente poder de seu criador, é interpretado pelos mesmos atores que representam o alienista, reforçando a ideia de que o poder é uma instituição, não importando quem o tem nas mãos.

Em sintonia e completamente ligados à história que contam, são os próprios atores que executam as partes musicais da peça, cantando e manuseando diversos instrumentos. Na revolução popular contra a Casa Verde, são fantoches que triplicam o tamanho do palco e nos remetem a um clima de brincadeira infantil.

Ao final do espetáculo, tanto alunos de Ensino Médio quanto aqueles que já deixaram a escola há bastante tempo percebem que Machado de Assis pode não ser doloroso, e sim divertido e atual.

Publicado em: on Novembro 5, 2010 at 3:07 pm  Deixe um Comentário  

‘O Alienista’ na UFRJ

Espetáculo sobre a loucura está de volta a antigo hospício. Montagem será gratuita e aberta ao público

Em 1944, o antigo Hospício Nacional dos Alienados é transferido de sua sede histórica na Urca. Em seu lugar, começava a ser restaurado o palácio que, anos depois, se transformaria no prédio principal de um dos mais importantes campi da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ.

Hoje, mais de sessenta anos depois, os loucos estão de volta ao Palácio Universitário da Praia Vermelha. É que na próxima sexta-feira, dia 20 de agosto, a Escola de Comunicação receberá a Incrível Companhia para mais uma apresentação do espetáculo “O Alienista”.

A montagem, que ano passado ganhou o Troféu Arlequim de Melhor Espetáculo Adulto, será apresentada na Sala Vianninha, em uma parceria entre o Programa de Educação Tutorial (PET) e o curso de Direção Teatral (DT).

Para o professor Mohammed ElHajji, um dos coordenadores do evento, é essencial movimentar mais o teatro na universidade:

- Acreditamos no potencial educativo do drama e de seu papel fundamental para uma formação universitária – explica ele.

A peça conta a história do Dr. Simão Bacamarte, um médico forasteiro que anuncia que construirá um edifício para abrigar e tratar todos os loucos de Itaguaí e das cidades vizinhas. A população da pequena vila mostra-se, então, intrigada com tão ousada proposta, mas os ânimos começam a se exaltar quando, pouco tempo depois, todos os moradores começam a ser recolhidos à Casa Verde, o hospício construído por ele. Itaguaí estava então à beira de uma revolução.

Para Ricardo Cabral, ator do espetáculo, a montagem é atual porque trata das formas de poder e controle social:

- A história de Machado levanta a questão dos modelos e classificações criados pela ciência e a estruturação de uma lógica de poder inaugurada por ela na modernidade - ressalta ele. –  Isso tudo é extremamente atual quando pensamos na força da medicina hoje na produção de verdades e comportamentos.

A peça, aberta ao público, terá entrada gratuita e as senhas serão distribuídas a partir das 17h30min da sexta-feira, na Sala Vianninha. O endereço fica na Avenida Pasteur, 250, Urca. Segundo a organização do evento, a sala oferece lugares para 70 espectadores.

Publicado em: on Agosto 13, 2010 at 5:16 pm  Deixe um Comentário  

O Alienista na sua Escola!

No ano passado, a Incrível Companhia de Artes e Entretenimentos do Senhor Cosme teve a oportunidade de mostrar seu trabalho ao grande público. Por vencer o VII Festival de Teatro Cidade do Rio de Janeiro, a companhia ganhou uma temporada com a peça “O Alienista” – adaptação da obra de Machado de Assis – no Teatro Princesa Isabel, em Copacabana.

Em 2010, o grupo continua com a peça, mas agora se dedicando a um Projetos Escola. A ideia é levar a montagem de “O Alienista” para colégios privados de todo o estado do Rio de Janeiro. Se você é responsável pela parte cultural ou pedagógica de uma escola e se interessa pelo trabalho da Incrível Companhia, contacte-se com nossa produção. Para saber como entrar em contato com a Companhia, clique aqui.

Publicado em: on Maio 14, 2010 at 10:40 pm  Deixe um Comentário  

O Alienista vence Festival Cidade do Rio de Janeiro e entra em cartaz

 cobertura da premiação, no Bom Dia Rio e no RJTV 1ª edição (10/06/09)  

 

 O Alienista levou o troféu Arlequim de Melhor Peça direcionada ao público adulto, saindo vencedor do VII Festival de Teatro Cidade do Rio de Janeiro. Como parte da premiação, a peça entrará em cartaz no Teatro Princesa Isabel (Av. Princesa Isabel, 186, Copacabana) no dia 24 de junho, onde permanecerá até 09 de julho toda 4ª e 5ª às 21h.

Em cerimônia realizada no Teatro Princesa Isabel no dia 09 de junho, a Incrível Companhia ganhou também os prêmios de Melhor Direção (Eduardo Vaccari), Melhor Texto Adaptado, Melhor Atriz Coadjuvante (Luisa Phebo) e Melhor Produção.

O grupo, que particia pela primeira vez de um festival de teatro, foi também indicado para os prêmios de Melhor Ator Coadjuvante (Victor Rosa) e de Melhor Figurino (Alice Sento-Sé, Sueanne Otsuka e Tainá de Paula).

Mais do que nunca, o Sr. Cosme tem o prazer de agradecer a todos que colaboraram e prestigiaram o nosso trabalho!

 

 

 

Publicado em: on Junho 15, 2009 at 2:11 am  Deixe um Comentário  

Uma noite Incrível !

por Marcela Capobianco

Felicidade. É isto que todos da Incrível Companhia de Artes e Entretenimentos do Senhor Cosme sentem desde ontem à noite. Uma noite em que o amor à arte era maior do que tudo.

Noite de surpresas. E, graças à Deus, ou então quem sabe, graças ao mantra budista, todas as supresas maravilhosas.

Começando pela indicação e, em seguida, com o Prêmio Arlequim de melhor texto adaptado. Viva Machado de Assis! Viva Eduardo Vaccari! E pensar que começamos praticamente do zero, lendo e improvisando o texto literário de Machado.

Era um misto de surpresa, nervosismo e muita felicidade. Alguns atores foram às lágrimas, e mal sabiam o que vinha pela frente.

A segunda surpresa foi a indicação de Victor Rosa ao prêmio de melhor ator coadjuvante. Foi uma supresa não porque ele não merecia, longe disso, mas por a peça ter todos os atores em um mesmo nível, coadjuvantes em relação à magnitude da história de Machado de Assis. Neste caso, a indicação valeu como um prêmio para o nosso ator e músico tão perfeito. Luisa Phebo, praticamente nosso amuleto da sorte, que voltou à Companhia este ano, recebeu não só a indicação como o prêmio de melhor atriz coadjuvante. Mais do que um reconhecimento para ela, que só teve três meses para se integrar à peça, ao grupo e a um personagem dividido com mais duas atrizes. O tal mantra budista funciona mesmo.

Na indicação para melhor direção, os integrantes da Incrível Companhia “vieram abaixo”. Muitas palmas, gritos, e a comoção de toda a plateia, que se emocionava – embora alguns se irritassem – com a empolgação dos atores. O prêmio de melhor direção foi o nosso prêmio-xodó, o mais merecido de todos, porque nem Incrível Companhia, nem “O Alienista” seriam coisa alguma sem que existisse Eduardo Vaccari para nos conduzir, nos acalmar e nos tornar atores profissionais. Como ele não pôde participar da cerimônia de premiação, todos os atores o representaram no palco, recebendo o Arlequim e muitas palmas e saudações de toda a plateia, que era composta pelos elencos das peças concorrentes direcionadas ao público adulto e às peças infantis.

Conquistamos mais um Arlequim pela produção do espetáculo, e eram tantos gritos, uivos de felicidade e palmas que um senhor que estava na minha frente disse, sorrindo: “Assim eu vou ficar com dor de cabeça!” e eu respondi: “Desculpa, moço! Mas eu te pago uma Neosaldina!”.

E aquele senhor, sempre sorrindo, precisou escutar muitos gritos ainda quando, por fim, foram anunciadas as indicações para melhor espetáculo do festival. Os mestres de cerimônia começaram por “Boca de Ouro”, da Companhia de Teatro Arte Dramática e em seguida, “Anne Frank – O Musical”, da Cia Amigos de Anne. E então, o mais inesperado de toda a noite: “O Alienista” foi indicado!!! Nesse ponto todos já estavam roucos, com dor de garganta, e os corações acelerados. Quando finalmente o vencedor foi anunciado, a euforia tomou conta não só de nós, atores, que jamais esperávamos ganhar o prêmio, e também de toda o público que estava no teatro.

Nem sei como eu cheguei ao palco. De repente estávamos ali, olhando para todos, e como vencedores, superando todas as expectativas. Em um impulso, peguei o microfone e falei milhões de coisas de que não me arrependo, ressaltando a importância desse prêmio para uma Companhia que não tem nem um ano de existência e nunca tinha participado de um festival, e que mesmo com todas as dificuldades, não devemos desistir.

A Incrível Companhia de Artes e Entretenimentos do Senhor Cosme foi a grande vencedora do VII Festival de Teatro Cidade do Rio de Janeiro, com cinco prêmios e duas indicações (não podemos esquecer da indicação ao prêmio das sensacionais figurinistas Alice Sento-Sé, Tainá de Paula e Sueanne Otsuka).

Pelo prêmio de melhor espetáculo, ganhamos o direito de nos apresentar no Teatro Princesa Isabel durante um mês. Sabemos que será mais uma batalha, lotar um teatro durante a semana, mas o entusiasmo e a vontade nos fazem ir além. Parabéns à todos da Incrível Companhia, e muito obrigado a todos aqueles que acompanharam o trabalho de perto, que torceram, vibraram e nos ajudaram. Que estes prêmios sejam os cinco primeiros de muitos que virão.

Publicado em: on Junho 10, 2009 at 1:54 pm  Deixe um Comentário  

Crítica de “O Alienista”

 por Claudio Tostes*

A ousadia de Eduardo Vaccari, o diretor, é flagrante. Montou uma narrativa em que os personagens são apenas alegoria perto da própria narrativa, exatamente como Machado de Assis. Sabedor do potencial de metade de seus pupilos, entregou-lhes a responsabilidade de vestir, ora um ora outro, o protagonista e os vários antagonistas que Machado, já em sua ousadia pessoal, cultivou ao longo do romance.

Simão Bacamarte, Dona Evarista, o Padre Lopes, o boticário Crispim, nenhum dos personagens estava preso a um ator. No clímax, inclusive, o médico era interpretado por três atores ao mesmo tempo, de tanta criatividade do diretor, que foi muito feliz em tornar visível a esquizofrenia do protagonista. Suas soluções para desdobrar e enriquecer o espetáculo também foram uma marca interessante.

Na revolta, uma multidão foi inventada pelos fantoches que os atores traziam nos bolsos e sacavam de uma só vez. A espada teve sua violência real diluída por uma miniatura de plástico que nos fez rir sem esquecer seu simbolismo. As caminhadas por alamedas ganharam espaço no palco pequeno com atores-arbustos movimentando-se para trás aos passos falsos dos caminhantes. Ideias geniais.

Machado de Assis é um pessimista, todos sabemos. Eduardo Vaccari optou por adaptar um romance e não tirar leite de pedra. E o fez com maestria.

(*) Claudio Tostes é jornalista (registro 29477/RJ)

Publicado em: on Março 20, 2009 at 12:53 am  Comentários (1)  

“O Alienista” – Nova Apresentação

É com muito orgulho e satisfação que gostaríamos de anunciar a todos que o espetáculo “O Alienista”, já apresentado por nós ano passado no Colégio Sion, teve sua inscrição aceita pelo Festival de Teatro Cidade do Rio de Janeiro – VII Edição.

A Companhia fará uma apresentação única na terça-feira, dia 19 de maio de 2009, às 21h, no Teatro Princesa Isabel (Av. Princesa Isabel, 186, Copacabana). Os ingressos antecipados estarão disponíveis para venda a partir do dia 17 de março e custam R$ 10,00 (preço único). Na hora, o preço é de R$ 20,00 (inteira) ou R$ 10,00 (meia).

Se você ainda não viu “O Alienista”, não perca esta oportunidade! Para ingressos antecipados, entre em contato pelo e-mail aincrivelcompanhia@gmail.com ou pelo telefone (21) 9106-2335 (falar com Ricardo Cabral).

Até lá!

Publicado em: on Março 8, 2009 at 4:38 pm  Deixe um Comentário  

E vem mais por aí…

Foram meses de muito suor e trabalho conjunto em 2008. Mas finalmente chegou a hora de, neste ano, começarmos a trilhar os novos caminhos da Incrível Companhia de Artes e Entretenimentos do Sr. Cosme.

As inscrições para os festivais de teatro  já começaram – e com elas recomeçam também nosso trabalho, com empenho e dedicação máximos para que possamos contar a cada vez mais pessoas esta história tão brilhante de Machado de Assis que é “O Alienista”.

E que 2009 seja um ano de muito sucesso não só para nós, mas também para o teatro, a arte e o mundo. Tudo isso, é claro, com muita alegria, saúde e paz.

Feliz 2009!

Publicado em: on Janeiro 8, 2009 at 4:32 pm  Comentários (2)  

Agradecimento

Gostaríamos de reservar um espaço aqui para agradecer ao Sr. Anderson Porto, da gráfica Onda Digital, que de muita boa vontade nos apoiou com a impressão do banner da peça que está na frente do Colégio Sion, local de nossa estréia no próximo final de semana.

Obrigado, Onda Digital! Valeu, Anderson!

Publicado em: on Novembro 9, 2008 at 2:52 pm  Deixe um Comentário  

Cheirinho

por Ricardo Cabral

 

“Você tá sentindo esse cheiro de ensaio geral?”, o João perguntou para mim outro dia. Na hora eu respondi que não. Como assim “cheiro de ensaio geral”? Eu hein, coisa de maluco…

Mas, na verdade, ele estava certo. O problema é que a gente – digo a gente porque acho que posso afirmar isso por muitos de nós – a gente simplesmente demora a perceber o quão perto está. É sempre assim. É só agora, na reta mais que final, que a ficha cai. Começamos a preparar flyer, pôster, vender ingressos, a lista de emails bombando mais que nunca e… – e, de repente, a gente pára, olha para tudo isso e pensa “ih, é verdade… tá chegando…”. É como querer muito alguma coisa e só perceber que ela chegou quando ela bate à porta.

Não acho que seja ruim. Na verdade, não sei como imaginar algo diferente disso. É como tentar imaginar, sei lá, Réveillon sem fogos. É como tentar imaginar uma estréia sem nervosismo, sem o burburinho geral de “vai dar tudo certo” enquanto o público entra e começa a tomar seus lugares.

Estou escrevendo sobre isso porque achei que era um bom tema para um primeiro post do nosso blog. Afinal, nada melhor que isso para traduzir o sentimento com o qual nos deparamos agora. São as marcas novas de cada ensaio, as passagens de música e uma grande energia produtiva.

Tá sentindo o cheirinho?

Publicado em: on Outubro 29, 2008 at 11:04 pm  Comentários (1)  
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