por Claudio Tostes*
A ousadia de Eduardo Vaccari, o diretor, é flagrante. Montou uma narrativa em que os personagens são apenas alegoria perto da própria narrativa, exatamente como Machado de Assis. Sabedor do potencial de metade de seus pupilos, entregou-lhes a responsabilidade de vestir, ora um ora outro, o protagonista e os vários antagonistas que Machado, já em sua ousadia pessoal, cultivou ao longo do romance.
Simão Bacamarte, Dona Evarista, o Padre Lopes, o boticário Crispim, nenhum dos personagens estava preso a um ator. No clímax, inclusive, o médico era interpretado por três atores ao mesmo tempo, de tanta criatividade do diretor, que foi muito feliz em tornar visível a esquizofrenia do protagonista. Suas soluções para desdobrar e enriquecer o espetáculo também foram uma marca interessante.
Na revolta, uma multidão foi inventada pelos fantoches que os atores traziam nos bolsos e sacavam de uma só vez. A espada teve sua violência real diluída por uma miniatura de plástico que nos fez rir sem esquecer seu simbolismo. As caminhadas por alamedas ganharam espaço no palco pequeno com atores-arbustos movimentando-se para trás aos passos falsos dos caminhantes. Ideias geniais.
Machado de Assis é um pessimista, todos sabemos. Eduardo Vaccari optou por adaptar um romance e não tirar leite de pedra. E o fez com maestria.
(*) Claudio Tostes é jornalista (registro 29477/RJ)
Ihill!!!
tudo nosso! Parabens companhia!!!!